Você aceita um cafezinho?

  • Categoria :Blog - Gastronomia
  • Data :24 / maio / 2022

Você aceita um cafezinho?

Uma das bebidas mais consumidas no mundo tem sua origem africana, mas ganha notoriedade ao ser cultivada no Iêmen, região oeste da Arábia que acaba dando origem ao nome do grão Kaweh e a bebida era chamada de Kahwah significando Força.  Há relatos de consumo da bebida desde 575 a.C. O auge ocorre na Turquia em meados do ano de 1475 com o surgimento da primeira cafeteria e depois se espalha pela Europa onde técnicas de torra são aprimoradas em Veneza e até Bach se rende a iguaria e escreve a Cantata do Café.

Aqui no Brasil mudas de café chegam em 1927 pelo Norte do país mais especificamente no Pará trazidas pelo Bandeirante Francisco de Melo Palheta vindo da Guiana Francesa e depois se espalham pelo litoral brasileiro.

A expansão da produção cafeeira no Brasil ocorre a partir da Baixada Fluminense e vale do rio Paraíba. O sistema de cultivo de monocultura visava a exportação para a América do Norte e Europa e para tanto a mão de obra escrava teve um papel primordial possibilitando as transações comerciais.

O café exerce uma grande força na economia do nosso país desde o tempo do Império em que seu cultivo era simples, de colheita manual realizada por escravos e as sacas de café chegavam ao porto do Rio de Janeiro em lombos de mulas. Como aumento das exportações se torna necessário acelerar o processo de transporte dos grãos e surgem as estradas de ferro principalmente no Oeste Paulista o que levam o produto mais facilmente ao porto de Santos.

O Brasil é o maior exportador mundial do grão e o segundo maior consumidor da bebida. Por aqui existem algumas regiões com solo e clima propícios ao cultivo do café onde Minas Gerais o estado de maior produção no país sendo do tipo Arábica seguido pelo Espírito Santo produzindo café tipo Conilon (tipo de Robusta). Outros dois estados com tradição no cultivo do café são Paraná e São Paulo com produção do Arábica, Rondônia ao norte do país produz o Robusta e Bahia oferece os dois tipos de grãos.

Aliás você já ouviu falar em grão Arábica e Robusta? O Arábica é o grão preferido e mais cultivado no mundo, tem sabor mais adocicado, suave e levemente ácido é também mais aromático com notas de frutas ou doce. O Robusta é amargo e mais marcante sendo preferido por quem aprecia um cafezinho amargo e com seu aroma mais denso é muito usado em expressos além de possuir o dobro de cafeína.

Dos pés de café brotam os frutos chamados cerejas que normalmente apresentam dois grãos de café. Os grãos verdes são torrados em variados graus que acentuam características e dão sabor aos grãos. A torra pode ser marrom claro, médio ou escuro e quanto mais torrado menos cafeína terá.

As características dos grãos de café são determinadas por local de cultivo, altitude, solo, clima e temperatura local e os baristas que são profissionais experts no preparo da bebida e conhecem muito bem o processo de produção e  extração do produto, estão cada vez mais presentes em bares, cafeterias e padarias oferecendo aos clientes inúmeras experiências com a bebida.

E afinal de contas, qual é o melhor café? A resposta é o que mais agrada ao seu paladar. Normalmente o Arábica tem maior valor de mercado por oferecer mais experiências de aroma e sabor nas bebidas e o Robusta usado em blends e cafés solúveis.

Hoje com tanta tecnologia a disposição temos no mercado inúmeros produtos que valorizam cada vez mais o consumo de um café de qualidade a qual é categorizada segundo a  Associação Brasileira da Indústria do Café em:

Tradicional – é o café Arábica de qualidade inferior consumido no nosso dia a dia, possui muitos defeitos e por isso tem torra muito escura para disfarçar tais imperfeições e a indústria faz um blend com o tipo Conilon para manter um padrão de comercialização e por tais características é consumido adoçado;

Gourmet –  é de alta qualidade, sabor suave por causa da torra controlada e é unicamente produzido pelo tipo Arábica;

Especial – produto que possui atributos de Fragrância e Aroma, uniformidade de características nos lotes produzidos, ausência de defeitos, doçura equilibrada (por isso se diz que não precisamos adoçar um café), sabor, acidez, dentre outros.

Depois desse bate papo sugiro tomar um delicioso café que aliás é bem-vindo a qualquer hora do dia só evitando o período noturno já que a bebida é bem estimulante outra sugestão é degustar deliciosas sobremesa, preparações salgadas e até bebidas geladas caso a temperatura sugira e bom apetite.

 

Texto por: Isabela da Fonseca Pinheiro, professora de Gastronomia