Oportunidades de Inovação na Educação

  • Categoria :Blog - Pedagogia
  • Data :28 / janeiro / 2021

Oportunidades de Inovação na Educação

Prof. Dra Ana Paula Sefton e Prof. Me. Marcos Evandro Galini, autores do livro Gestão Educacional Transformadora[1].

 

No campo da Educação há muitas intenções de integrar inovação ao processo de ensino-aprendizagem. Contudo, ainda há grandes obstáculos para tornar este caminho mais inovador considerando toda a experiência escolar do/a aluno/a. Já não é de hoje que se questiona o modelo de escola tradicional pautada em ser apenas “transmissora” de conteúdos, de valores e crenças, em geral constituindo uma visão ocidental e branca de conhecimento.

Na escola tradicional o/a aluno/a ainda é visto como um sujeito que recebe o conhecimento de forma passiva. O currículo é “engessado” e determina o conteúdo do que deve ser ensinado para o/a aluno/a na escola, muitas vezes, valorizando somente o cognitivo, em detrimento de outras competências e habilidades como a social, emocional e a ética.

Uma parcela significativa das escolas brasileiras é padronizada pelo livro didático ou apostila, com a matéria a ser “dada” definida a priori e a verificação do processo de aprendizagem feita através de testes, como numa fábrica. Nesta perspectiva, o/as aluno/as devem aprender as mesmas coisas, no mesmo ritmo e tempo, e avaliados da mesma maneira, de forma homogênea.

No entanto, na era da informação os saberes do presente estão em constante mudança, seja pela evolução tecnológica, cientifica e a globalização econômica e cultural. As verdades são relativas e perenes. Há espaço para reflexões e problematizações das verdades impostas e enquadradas sob apenas uma perspectiva.

A escola e os modelos de ensino devem ser constantemente ressignificados em nosso período histórico, cuja inovação tecnológica é responsável por grandes transformações, inclusive pelas formas de interação, socialização e atuação em nossa sociedade. Tal ressignificação também pode ser o caminho para o enfrentamento dos desafios atuais da sociedade moderna, informacional, tecnológica e multicultural.

Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017)[2], deve-se “estimular atitudes cooperativas e propositivas para o enfrentamento dos desafios da comunidade, do mundo do trabalho e da sociedade em geral, alicerçadas no conhecimento e na inovação”. Inovar na educação é uma necessidade premente para atender estas novas demandas de aprendizagem e de perfil do/a aluno/a.

Sobre inovação na Educação vale refletir sobre algumas definições do termo:

Ato ou efeito de inovar; Inovar: produzir ou tornar algo novo, renovar, restaurar.[3]

Baseado no conceito de inovação mencionado no Manual de Oslo (OECD, 1997)[4], entende-se que a inovação ocorre na medida em que fazemos algo novo, inexistente ou melhoramos algum processo ou produto já existente. Especificamente nesse último conceito, chamado de Inovação Incremental, o novo produto ou serviço incorpora alguns novos elementos em relação ao anterior, sem que, no entanto, sejam alteradas as funções básicas do produto. Ainda, inovação:

É a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. (OECD, 1997)

Diante desse conceito de inovação, considera-se prática inovadora toda aquela prática que fazemos de forma melhorada ou diferente, e que gera um valor positivo e diferenciado para as pessoas, a instituição e para a sociedade.

E na Educação, como se daria o processo de inovação? Não existe um único caminho, mas, em geral, existe a preocupação de transformar os processos educativos enraizados na escola:

Inovar em educação significa abandonar o modelo padronizado de escola, em que todos são tratados da mesma maneira e submetidos às mesmas aulas expositivas, nos mesmos horários e locais, realizando as mesmas avaliações.[5]

Uma instituição de ensino deve considerar este aluno do século 21 e ressignificar suas práticas e modelos, considerando as individualidades e, consequente, personalização da aprendizagem e o desenvolvimento de competências que tornem o aluno protagonista de sua aprendizagem.

Para tanto, é possível iniciar este processo listando uma série de questionamentos e problematizações da prática educacional ofertada pela instituição. Algumas sugestões de diretrizes são elencadas a seguir, considerando sempre a necessidade de adaptação à realidade de cada organização.

– Analisar o cenário atual, bem como a missão e a visão da instituição. Apontar os aspectos fortes e as oportunidades de melhoria; da mesma maneira, apontar as fraquezas e as ameaças na atuação da organização no Campo da Educação.

– Desenvolver uma escuta ativa e mapear os “problemas” internamente e diretamente com os/as usuários/as do serviço ofertado (em geral, alunos/as e familiares). Definir objetivos e plano de ação. Desenvolver processos integrativos e inovadores para a busca de soluções. 

– Mapear profissionais internos e, eventualmente externos, cujas habilidades e competências possam contribuir no processo de mudanças e de integração de práticas inovadoras. Considerar o desenvolvimento constante de profissionais da Educação, bem como o reconhecimento das suas conquistas e contribuições. 

– Desenvolver o plano de estudos e aprendizagens sob a perspectiva de habilidades e competências necessárias para a atualidade e para o futuro, considerando que a experiência de aprendizagem deve ser pautada em diferentes inteligências e meios de aprendizagem, bem como na atuação ética e transformadora da comunidade e sociedade.

– Focar toda e qualquer decisão na experiência de ensino-aprendizagem do/a aluno/a e nas práticas inovadoras que se almeja realizar, considerando sincronia com a missão e visão da instituição.

[1] SEFTON, A.P.; GALINI, M.E. Gestão Educacional Transformadora: guia sobre intraempreendedorismo, estratégia e inovação. Curitiba: Editora CRV, 2020.

[2] BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília, DF, 2017. Disponível em <http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf>.

[3] https://www.significados.com.br/inovacao/

[4] OCDE. Manual de Oslo: Diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. 3. ed. Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Gabinete Estatístico das Comunidades Europeias (Eurostat). Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Brasília, DF, 1997. Disponível em: <http://www.finep.gov.br/images/apoio-e-financiamento/manualoslo.pdf>.

[5] http://futura.org.br/trilhas-do-conhecimento/existe-inovacao-em-educacao-sem-o-uso-de-tecnologia/#1

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