Home office, produtividade e o mercado freelancer para Designers Gráficos

  • Categoria :Tecnológicos
  • Data :15 / julho / 2022

Home office, produtividade e o mercado freelancer para Designers Gráficos

As relações no mercado de trabalho têm se modificado profundamente nos últimos anos, especialmente após o advento da world wide web em 1996. A mudança na maneira como podemos movimentar as informações pelo mundo (com uma velocidade nunca antes vista),  mudou a relação de aprendizado, de trabalho e também as relações humanas.

No mercado do design, cada vez mais existe a possibilidade do trabalho freelancer, normalmente feito em casa, ou como o mercado gosta de chamar home office. Este mercado para os designer nasceu praticamente junto com a internet, e após o início da pandemia de Covid-19 este tipo de trabalho que era muito específico na  área se tornou o padrão para a maioria dos trabalhos de escritório do país.

Vou falar aqui dos prós e contras desse tipo de trabalho. Começando por alguns contras: para começar a trabalhar home office, é necessário uma boa formação, sem o contato social com os colegas de trabalho, não é possível aprender trabalhando, pelo menos não com a mesma agilidade ou possibilidade de pedir ou dicas para colegas, e também ensiná-los essas trocas sociais e interações são maiores quando se está em um mesmo ambiente, logo o aprendizado tende a ser mais dinâmico. Sabemos que o equipamento de design, computador e programas tem um custo, é necessário pensar nisso e calcular muito bem na hora de começar a trabalhar, alguns estúdio e escritórios de design fornecem o equipamento e o levam a casa do contratado, mas sabemos que isso não é realidade para a maioria dos freelancers. Outro problema que costuma acontecer é o da auto organização, quando se está em casa, muitas vezes é mais fácil relaxar demais e não conseguir cumprir prazos por conta de confundir o horário de trabalho com o horário de descanso, por isso crie uma rotina de trabalho, se possível tenha um espaço só para o trabalho, se você joga, ou gosta de ver filmes, tente fazer isso em outro espaço que não o que você reservou para o trabalho de design.

Apesar de ter começado a listar pelo lado ruim o  das “más notícias”, além das dificuldades de rotina e investimento em equipamento, o home office tem várias vantagens, a primeira delas especialmente para quem trabalha nos grandes centros urbanos. O tempo ganho com o deslocamento em São Paulo pode chegar a quatro horas por dia. Além desse fator há também o ganho com produtividade, caso o seu trabalho que lhe dá mais demanda não tenha preenchido todo seu tempo, o que é comum entre um projeto e outro de design, você pode usar aquela brecha de tempo para fazer outras coisas, às vezes um freelance de outro cliente, também é possível estudar, ou mesmo fazer algum exercício entre as brechas.

Caso você não seja contratado CLT ou em outro regime exclusivo de trabalho, recomendo sempre que você tente ter 2 clientes com muitos projetos, isso te dá uma margem para negociação, e até evolução na carreira. Exemplo: seu Cliente A te dá a mesma quantidade de trabalho que o cliente B, porém o Cliente A, paga 150% do que o Cliente B, paga, imaginando que você tentou atualizar o valor e não conseguiu nada, você pode tentar fazer uma transição mais suave ao tentar adquirir um novo cliente que pague o que você imagina ser o correto, sem que você fique sem nenhum rendimento, que é o que aconteceria se você pedisse as contas em um regime CLT.

O trabalho freelancer é ótimo, mas é necessário ficar atento a questões como cobrança, sua produtividade e logo sua precificação, manutenção do equipamento entre outros. A liberdade de ir ao cinema em uma terça feira sem “freelas” é excelente, mas ela vem com a responsabilidade de pensar não somente no seu trabalho de designer, mas também como cobrança, divulgação e administração, o importante é achar qual o perfil que mais combina com você.

Escrito por Marcelo Pitel, coordenador e professor de pós graduação em Design Gráfico.