27/03 – Dia do Graffiti

  • Categoria :Blog - Artes Visuais
  • Data :27 / março / 2020

27/03 – Dia do Graffiti

Por Bonga Mac, aluno do curso de Graduação em Artes Visuais da FAEP

Tudo começou por volta de 1987, quando um grupo de artistas do stencil art (técnica do graffiti) se reuniram para homenagear o falecido pioneiro da linguagem da cidade de São Paulo, Alex Vallauri, na data de sua morte.

 

Durante esse período vários artistas urbanos, tomaram o tradicional buraco da Av. Paulista e celebraram a vida e a obra daquele que é tido como o percursor de toda uma geração, Alex Vallauri.

 

Anos depois por uma movimentação de entusiastas e artistas se criou um movimento, onde foi instituído pela Câmara Municipal de São Paulo, sobre a autoria do vereador Odilon Guedes, oficializou o dia 27 de março como o Dia do Graffiti na cidade São Paulo na lei municipal 13903/2004.

 

Esta lei foi derrubada 3 anos depois em virtude da entrada em vigor da lei “Cidade limpa” em 2007.

 

*Mesmo sem formalização a data do dia 27 de março sempre se manteve de forma naturalmente transgressora, pois institucionalizá-la estaria na contramão da oficialização do que arte é, sua essência marginal.

 

 

De qualquer modo, é uma data referência à memória do artista urbano Alex Vallauri.

 

Hoje a data é comemorada em âmbito nacional. No entanto, nem todas as vertentes a entendem como representatividade do graffiti, pois na sua essência universal, a cultura percorre outros caminhos pelo mundo.

 

Surgimento

O Graffiti surgiu no final dos anos 60, em Nova Iorque e Filadélfia como representatividade das guangues e “escritores” individuais que se utilizavam de suportes como vagões dos trens do metrô e paredes e muros dos seus bairros. Esses artistas se utilizam do spray como tinta de secagem rápida e fácil aderência para desenharem, escreverem e demarcarem seus símbolos, estilos e painéis em todos os lugares possíveis.

 

Essa cultura se encontrava em processo de evolução junto a outras expressões que desenvolvia, ao mesmo tempo, como as festas que rolavam nos subúrbios dos bairros das comunidades de negros e latinos em Nova Iorque, festas estas que deu origem ao movimento cultural Hip Hop – o qual que junta dançarinos (b.boys & b.girls), djs e os mestres de cerimônias “MC” que improvisam suas rimas.

 

O graffiti se agrega a esses eventos “decorando”  esses ambientes e também como segmento. Daí pra frente, vem a divulgação, a explosão mercadológica que espalha a informação pelo modismo dessa cultura e influencia diretamente jovens do mundo inteiro, fazendo gerar as cenas da cultura do ocidente ao oriente.

 

No Brasil

*No Brasil não seria diferente, desde os movimentos de luta contra o período da ditadura militar nos anos 60, onde os grupos de resistência popular e estudantes  escreviam frases contra a opressão,  passando pelos artistas interventores urbanos de SP e outros estados, até o surgimento e desenvolvimento do Hip Hop no Brasil, se iniciando em SP no metrô São Bento, até outras capitais se desenvolvendo só quase que  simultaneamente em cidades como: Brasília, Belo Horizonte, Rio de janeiro, Recife.

Desta forma a cultura se espalhou influenciando diretamente as periferias desses grandes centros urbanos. Gerando identidade e contestação por da expressão que esses jovens também começaram a levar pra rua. Gerando assim seu estilo e modo de fazer, construindo uma identidade de suas obras feitas nos espaços urbanos.

 

Hoje com a expansão do segmento, vários artistas brasileiros trilharam o caminho de reconhecimento mundial dentro de seus mais variados trabalhos. Artistas como:

Os Gêmeos, Herbert, Tinho, Binho, L7M, Alex Senna, Kobra, Crânio, Vitche, Lídia Viber, Tikka, etc. são exemplos de sucesso entre o mercado, as galerias e também instituições.

 

Formando parcerias com grandes marcas e ganhando o mundo com suas obras, sejam em exposições ou intervenções como empenas de prédios ou mesmo demarcando em sua essência original as ruas, muros e trens, de forma transgressora, como sua essência os ensinou, o graffiti continua e continuará sendo a expressão autêntica do caos, do cotidiano e da rua. Quando for apenas decoração, deixará de existir para ser simplesmente técnica.

 

O Dia do Graffiti é importante, porém, sua essência vai muito além de um data comemorativa.

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