16/10 – Dia Mundial da Alimentação

  • Categoria :Sem categoria
  • Data :17 / outubro / 2019

16/10 – Dia Mundial da Alimentação

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO 

TEMA:  ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E SUSTENTÁVEL

POR SANDRA ZARPELON

 

O Dia Mundial da Alimentação, é celebrado em mais de 150 países e comemorado em 16 de outubro. Foi criado com o intuito de desenvolver uma reflexão a respeito de como está a atual alimentação mundial e de como está a fome do planeta e as questões referentes a segurança alimentar. Entende-se por segurança alimentar uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente.

A data foi escolhida para memorar a criação da fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 1945.

A campanha neste ano celebra a promoção de uma alimentação saudável e sustentável disponível e acessível para todos. Todos os países, decisores políticos, empresas privadas, sociedade civil em conjunto com todos nós, podem tomar medidas alcançar uma alimentação saudável e a fome zero.

Podemos considerar que os conflitos, o clima, a situação econômica, as desigualdades sociais são apenas algumas das razões, no mundo, pelas quais a meta de Fome Zero pode parecer mais difícil de ser alcançada agora.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura ( FAO ) outras doenças estão em evidência como a obesidade e sobrepeso, fazendo com que fique mais complicado abordar a má nutrição em todas as suas formas.

Contudo, a experiência tem mostrado que a segurança alimentar e a nutrição podem registar grandes avanços quando os países, as instituições e as pessoas trabalham em conjunto. Agir não é uma opção, mas sim, um passo necessário para um verdadeiro futuro sustentável para todos.

Agora, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) o Brasil está voltando ao Mapa da Fome devido a consequências da crise econômica. Um caminho contrário ao anterior. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), do IBGE, entre 2016 e 2017, a pobreza da população passou de 25,7% para 26,5%. Já os extremamente pobres, que vivem com menos de R$ 140 mensais, pela definição do Banco Mundial, saltaram de 6,6%, em 2016, para 7,4%, em 2017. 

Outro ponto negativo da situação da alimentação no Brasil, de acordo com o relatório, é o aumento da obesidade entre os maiores de 18 anos. O dado, aparentemente contraditório com a escassez alimentar, é explicado pelo fato de que comidas ricas em açúcar e gordura, em geral industrializadas, tornaram-se mais acessíveis para a população de baixa renda.

No Brasil, uma alimentação de qualidade é um direito de todos, sendo assegurada por lei. Segundo a lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006, art. 2º, a alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.”

Este é o momento de redobrar esforços para alcançar a meta globalmente acordada de Fome Zero, de acordo com o enunciado na Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs).

A dica fica para que façamos uma reflexão no dia 16 de outubro a respeito dos seus hábitos alimentares, no desperdício e como você pode mudar o quadro da alimentação mundial. Pequenas atitudes fazem o mundo melhor.

 

Como os Gastrólogos e Chefes de Cozinha podem contribuir para diminuir a fome no mundo?

Nas últimas décadas, a gastronomia experimentou um boom em todo o mundo. Esse fenômeno, conhecido como ‘gastronomização’, se tornou objeto de estudo de sociólogos, antropólogos, historiadores, gastrólogos, pesquisadores de diversos campos do conhecimento.

Enfim, gastrólogos ou Chefes de Cozinha podem colaborar por uma melhor alimentação e ser aliado a sustentabilidade?

Sim! Nos últimos 50 anos, a forma como nos alimentamos transformou o mundo e a nós mesmos. Desmatamos nossas florestas, estreitamos a base da nossa dieta alimentar para poucas espécies e desperdiçamos 1/3 de tudo que produzimos, enquanto muitos ainda passam fome, de acordo com World Resources Institute (WRI).

Agora chegamos num momento decisivo. O futuro está aqui, pois ele é construído diante das nossas escolhas.

Em 2050, seremos 9 bilhões de pessoas no mundo. Não precisamos produzir mais comida e sim mudar o atual modelo de produção-distribuição-consumo de alimentos.  

Uma das formas de combater essa realidade é o uso integral do ingrediente. O que geralmente é visto como resto – cascas, sementes e raízes – pode ser a base de uma receita nutritiva e deliciosa. Trabalhar com a ponta da cadeia para reverter os dados de desperdício de alimentos. A conscientização e o conhecimento são duas ferramentas para transformar a gastronomia.

Já dizia o escritor e jornalista catalão Josep Pla que a cozinha de um país é a sua paisagem dentro da panela.

Portanto, é importante observarmos os aspectos geográficos que contribuem para definir os sistemas simbólicos de uma cultura alimentar. Nossas identidades estão estreitamente relacionadas ao território onde vivemos, à biodiversidade.

Gilberto Freyre destaca ainda que o gosto é condicionado “pelas ecologias em que vivemos os anos decisivos da nossa existência”. Então perguntamos por que insistimos em comer e cozinhar o território do outro ou mesmo o alimento que não respeita o território? 

Portanto, digo a vocês, futuros cozinheiros, chefs, empresários, pesquisadores têm nas mãos (e nas cabeças) uma importante ferramenta de transformação social! Usem com habilidade e sabedoria todo o poder de influência da gastronomia para provocar as mudanças necessárias! 

Parafraseando Brillat-Savarin: diga-me o que cozinhas e eu te direi o chef que és.